Solenidade de Nossa Senhora Aparecida

“Salve a mãe de Deus e nossa,
Sem pecado concebida!
Salve a Virgem Imaculada,
A Senhora Aparecida!

Aqui estão vossos devotos,
Cheios de fé incendida,
De conforto e de esperança,
Ó Senhora Aparecida!

Virgem santa, Virgem bela,
Mãe amável, Mãe querida,
Amparai-nos, socorrei-nos,
Ó Senhora Aparecida.

Protegei a santa Igreja,
Ó Mãe terna e compadecida,
Protegei a nossa Pátria,
Ó Senhora Aparecida!

Amparai todo o clero,
Em sua terrena lida,
Para o bem dos pecadores,
Ó Senhora Aparecida!

Velai por nossas famílias,
Pela infância desvalida,
Pelo povo brasileiro,
Ó Senhora Aparecida!”

Segundo relatos e documentos históricos, o início da história de Nossa Senhora Aparecida foi assim:

Em março de 1717, embarcou em Lisboa, com destino ao Rio de janeiro, Dom Pedro de Almeida e Portugal, o Conde de Assumar, que vinha substituir Dom Braz Balthasar da Silveira no governo da Capitania de São Paulo e Minas Gerais.

Chegando ao Rio de Janeiro em junho de 1717, o Conde de Assumar desejou avaliar a situação da sua capitania e para tanto, foi a São Paulo, sede do governo, em Agosto. Tomou posse em 4 de setembro de 1717. Devido aos tumultos em Minas Gerais por motivo das minas de ouro, ele decidiu dirigir-se ao local das desordens. Após cerca de 17 dias de viagem, isto é, aos 11 ou 12 de outubro de 1717, chegava o Conde de Assumar, com sua comitiva, à região de Guaratinguetá. Relatam os manuscritos da época o seguinte:

A Câmara da Vila notificou então os pescadores que apresentassem todo o peixe que pudessem haver para o dito governador. Entre muitos, foram pescar em suas canoas Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso e, principiando a lançar suas redes no porto de José Corrêa Leite, continuaram até o porto de Itaguassú, distância bastante, sem tirar peixe algum. E lançando neste porto João Alves a sua rede, de rasto tirou o corpo da Senhora, sem cabeça, e, lançando mais abaixo outra vez a rede, tirou a cabeça de mesma Senhora, não se sabendo nunca quem ali a lançasse. E, continuando a pescaria, não tendo até então peixe algum, dali por diante foi tão copiosa em poucos lances que, receosos de naufragarem pelo muito peixe que tinham nas canoas, ele e os companheiros se retiraram a suas moradas, admirados deste sucesso” (cf. Marcondes Homem de Mello, Álbum da Coroação. Brasílio Machado, A Basílica de Aparecida).

A imagem de Nossa Senhora, feita de barro, media 38 cm de altura e apresentava cor bronzeada. Os pescadores muito admirados com a pesca milagrosa e com a imagem “aparecida”, limparam-na com cuidado e Felipe Pedroso conservou a imagem em sua casa durante vários anos. A seguir, Felipe deu a imagem a seu filho Atanásio, que morava em Itaguassú, porto onde aconteceu o encontro da imagem. Atanásio, piedoso, construiu um pequeno oratório para a imagem e logo se iniciaram as reuniões para oração do santo rosário ali.

Certa vez, durante uma dessas reuniões, as velas que iluminavam a imagem de Nossa Senhora se apagaram apesar de a noite estar bem calma. Os fiéis, querendo reacendê-las, constataram admirados que elas se reacenderam milagrosamente.

Foi este o primeiro prodígio registrado em torno da Senhora Aparecida. O mesmo prodígio se repetiu outras vezes, chegando a notícia ao conhecimento do pároco de Guaratinguetá, Pe. José Alves Vilela. Este sacerdote resolveu erguer uma capelinha para a imagem, para assim acolher os devotos da Virgem, que cresciam cada dia mais devido às graças e benefícios alcançados diante da imagem. Essa primeira capelinha foi pequena diante da generosidade de Nossa Senhora Aparecida que atraía cada dia mais fiéis.

Outro milagre muito conhecido é o do escravo, ocorrido por volta de 1790. O escravo se colocou em oração diante da imagem de Nossa Senhora e suas correntes se quebraram. Eis como o refere o Pe. Claro Francisco de Vasconcelos pelo ano de 1838:

“Um escravo fugitivo, que estava sendo conduzido de volta à fazenda pelo seu patrão, ao passar pela Capela, pediu para fazer oração diante da Imagem. Enquanto o escravo estava em oração, caiu repentinamente a corrente, deixando intato o colar que prendia seu pescoço. A corrente se encontra até hoje pendente da parede do mesmo Santuário como testemunho e lembrança de que Maria Santíssima tem suprema autoridade para desatar as prisões dos pecadores arrependidos. Aquele senhor, tocado pelo milagre, ofereceu a Nossa Senhora o preço dele e o levou para casa com uma pessoa livre, a fim de amar e estimar aquele seu escravo como pessoa protegida pela soberana Mãe de Deus” (relato extraído da obra de Júlio J. Brustoloni, A Mensagem da Senhora Aparecida, Ed. Santuário, Aparecida, SP, 1994).

A devoção a Nossa Senhora Aparecida foi crescendo de forma impressionante. As graças alcançadas por seu intermédio atraíam e continuam atraindo multidões.

Em 16 de julho de 1930, o Papa Pio XI acolhendo o pedido de proclamar Nossa Senhora Aparecida como Padroeira principal do Brasil, publicava o seguinte “Motu proprio”:

“… Por conhecimento certo e madura reflexão nossa, na plenitude de nosso poder apostólico, pelo teor das presentes letras, constituímos e declaramos a mui Bem-aventurada Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de “Aparecida”, Padroeira principal de todo o Brasil diante de Deus. Este padroado gozará dos privilégios litúrgicos e das outras honras que costumam competir aos Padroeiros principais de lugares ou regiões. Concedendo isto para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e aumentar cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus, decretamos que cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus, decretamos que as presentes letras estejam e permaneçam sempre firmes, válidas e eficazes, surtindo seus plenos e inteiros efeitos”.

Esta é a linda história de nossa Amada Mãe Aparecida, Mãe do Brasil, Mãe dos pobres e dos negros, dos sofredores e dos excluídos, dos marginalizados e dos injustiçados. Mãe de Deus e nossa. A imagem encontrada no rio, corpo e depois cabeça, nos ensina que nós somos barro e barro quebrado. Maria, a mais humilde das criaturas, se reveste de maior humildade em Aparecida para nos ensinar o caminho da humildade como um caminho de santidade.

Os milagres alcançados através da oração fervorosa diante da imagem de Aparecida são incontáveis e podem ser entendidos como uma forma de Maria manifestar sua maternidade ao povo brasileiro. Temos uma Mãe! Mãe maravilhosa que se compadece de seus filhos e deseja conduzi-los ao Céu. Conceder graças especiais é uma forma de lembrar aos filhos do único Caminho para a felicidade: Jesus Cristo.

Ela quis se identificar com o povo brasileiro. Desejou vir em socorro dos humildes e pequenos. Sua cor mostra como nos ama, conhece e quer bem. Recordando os seus primeiros milagres, peçamos com confiança a ela que reacenda a chama da fé em nossos corações e que nossa fé seja ardente. Olhando para nossa Mãe Aparecida desejemos ter a fé capaz de ir até o fim, a fé da decisão e acima de tudo a fé do amor. Maria que reacendeu as velas do altar deseja que as chamas da fé de nossos corações estejam bem acesas para a honra de Deus. A noite dos problemas pode querer apagar a chama da fé, o vento das injustiças pode soprar contra a flama da fé, a tempestade das angústias e calamidades pode ameaçar o lume da fé, mas Maria nos ajuda a manter nossa fé acesa e proclamarmos com força que Jesus é Nosso Senhor e Salvador que cuida de nós, de nosso país e do mundo inteiro.

Supliquemos pela comida na mesa dos pobres. Nossa Senhora, que prodigiosamente conduziu os pescadores que a recolheram do rio a uma pesca abundante e milagrosa, rogue a Jesus pelos pobres, pelos que passam fome e pelos que tem necessidades materiais. E que a Virgem Aparecida nos ensine a compartilhar generosamente nossos bens e nos ajude a construirmos uma sociedade mais justa e generosa.

Peçamos também que ela arrebente as correntes que ainda nos fazem escravos e que como naquele dia em que ela libertou o escravo, nos conduza para uma liberdade interior crescente que glorifique Nosso Senhor Jesus. Que Nossa Senhora Aparecida liberte o Brasil e o mundo inteiro de todas as correntes da corrupção e da iniquidade que prejudicam a sociedade e conduzem a uma cultura de morte e pecado. Que o Brasil e todo o mundo sejam livres das correntes da mentira e do roubo, da guerra e do culto ao dinheiro pela poderosa intercessão de Nossa Mãe Aparecida. Assim seja.

 

Bibliografia: Blog felipeaquino

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Anajúlia Gabino Mendes

Formadora Geral da comunidade e consagrada da comunidade de vida. Casada com Rodrigo Serva Maciel nosso fundador