Ritmo dos monges: que balada é essa?

Como é seu dia? Você percebe o nascer do sol em cada manhã? O nascer do dia é o marco para o inicio de suas atividades? No momento das refeições você se assenta, respira fundo, come sem pressa e espera seus familiares para tomarem juntos o alimento? Ao entardecer, você vai encerrando seu trabalho com a convicção de ter feito o que era preciso? E, caso tenha deixado trabalho para o dia seguinte, isto é feito sabendo tranquilamente que nem sempre é possível fazer tudo a que propôs? Quando chega a hora de descansar, você vai logo para a cama ou fica até de madrugada procurando um programinha na TV ou um entretenimento na internet querendo assim dar uma “relaxadinha”, acaba dormindo altas horas e acordando irritado no outro dia? E, em meio a um dia comum com suas atividades rotineiras, quais são os momentos determinados para o encontro com Deus? Não sei quais foram as suas respostas, mas, conheço muitas pessoas que dançam no mesmo dia inúmeros ritmos diferentes. Correndo de um lado para o outro, esgotam-se e quando chega a hora do descanso, estão exaustas e parecem não ter visto o dia passar. Para estes, uma vida ritmada num mesmo compasso todos os dias parece impossível e até monótono. Mas, há pessoas que vivem exatamente assim: a cada dia um mesmo e equilibrado ritmo sem deixar de experimentar o caráter de expectativa e novidade próprias da vida humana e particularmente da vida em Deus: os monges.
Nos mosteiros, o sino indica o que fazer a cada hora. Desperta-se bem cedo para entoar o louvor divino. O silêncio perpassa todo o dia. Sete vezes ao dia encontram-se todos na capela e cantam belissimamente e com toda a Igreja a Liturgia das Horas. Há momento para o trabalho e para estudo. Na hora determinada, todos tomam juntos a refeição. Recolhem-se bem mais cedo que a maioria das pessoas para despertarem com aqueles que madrugam e começa mais uma vez a dança harmoniosa proposta pelo novo dia. Você pode até se perguntar: isso ainda existe? Existe. Existe sim. O ritmo equilibrado dos monges é a grande sede de muitos corações perturbados que habitam fora dos mosteiros. Que ninguém injustamente os julgue “gente à toa”. A vida contemplativa é o pulmão da nossa Igreja. A vida beneditina é acompanhada há séculos pelo lema: ora e trabalha. Indicando que oração e trabalho devem equilibrar-se, sendo a oração a fonte interior que motiva todo o trabalho. Trabalhar muito, para esta espiritualidade, não é sinônimo de esgota-se, pois esta fonte interior jamais se extingue. Entrar no ritmo dos monges é convite para todos nós. Esta tarefa nos exigirá um pouco de esforço, mas, sem dúvida, valerá a pena perseverar. Nossa primeira tarefa será colocar Deus no lugar que lhe é devido e assim como os planetas em torno do Sol, tudo em nossa vida poderá aos poucos se organizar. Quer entrar nessa balada?