OBRAS DE MISERICÓRDIA – REZAR POR VIVOS E FALECIDOS

por

“Um sábio disse: Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo”. O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, os Santos obtiveram-no em toda a plenitude: o Todo-poderoso deu-lhes, como ponto de apoio: Ele mesmo e Ele só; e como alavanca: a oração, que abrasa com fogo de amor. E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na terra o levantam, e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.”
(História de uma Alma – Santa Teresinha do Menino Jesus)

“Pedi e vos será dado” (Lc 11,9), “Tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado” (Mc 11,24).

Rezar por vivos e falecidos é uma obra de misericórdia espiritual que nos remete à vida eterna.  Crer em Deus é o primeiro motivo pelo qual rezamos. Temos fé que podemos recorrer ao Senhor do Universo em qualquer situação. Mas a oração não deve ser um gesto egoísta no qual eu falo para Deus sobre todas as minhas necessidades e espero que eu seja atendido, estabelecendo com Deus um relacionamento de vantagens. Eu peço, Deus atende e pronto. Considero que esta é a lenda do gênio da lâmpada mágica e em nada ilustra como deve ser a nossa oração. Oração é um diálogo com Deus. Falo e escuto. Posso falar de muitos assuntos, mas devo estar atento para ouvir também. É tão ruim conversar com uma pessoa que não sabe escutar. O mundo está cheio destas pessoas! Rezar é estabelecer com o Senhor um relacionamento de confiança, é mostrar minha alma para Ele sem reservas e ao mesmo tempo perscrutar o íntimo de Deus.

Uma expressão da misericórdia é carregar em nosso coração pessoas que precisam de oração, vivos ou falecidos. Portanto, essa obra não está nos lábios e nem na mente, ela brota do coração. Só posso rezar verdadeiramente por uma pessoa quando permito que ela entre em meu coração. Ou seja, eu me compadeci dela, trouxe para dentro de mim um pouco da sua vida, de sua necessidade ou de seu sofrimento. Costumo dizer  ou escrever para algumas pessoas pelas quais estou rezando: “Carrego você em meu coração”. É isso! Trazer conosco, na casa do amor, as pessoas para que as apresentemos a Deus. Santa Teresinha além do ensinamento profundo que lemos acima também nos diz que “Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela.” Parece simplório, mas quem conhece Teresinha sabe que sua Pequena Via é  um itinerário muito profundo e verdadeiro. Para que esta frase estampe a oração é preciso que a pessoa pela qual eu rezo ocupe não só meus pensamentos mas também meu coração porque é alvo do meu amor e também é preciso que eu esteja em constante contato amoroso com Deus naquele diálogo que promove a união. “Orai em todo o tempo” (Ef 6,18), “perseverai na oração” (Col 4,2), “orai sempre e em todo o lugar” (1 Tim 2,8).

E quem precisa das nossas orações? “Antes de tudo recomendo que se façam súplicas, orações, petições, ações de graças por todos os homens…” (I Tim 2,1). De todos os homens, tem prioridade as pessoas que nos pediram para rezar por elas. Confiaram que nosso coração é amigo de Deus e que também é largo a ponto de poder carrega-las. Também devemos rezar por aqueles que testemunhamos o sofrimento. É nosso dever suplicar por aqueles que estão passando por situações difíceis perto de nós. Mas sabemos que o sofrimento humano se espalha pelo mundo e isso deve nos impelir a orar por nossos irmãos que sofrem e que não conhecemos. Rezar com muita perseverança por aqueles que podem se perder, rezar pela salvação dos homens. Esse é um pedido insistente de Nossa Mãe Maria em suas aparições. Rezar pelos falecidos também é muito importante. Nossa fé ensina que depois da morte podemos permanecer no purgatório para a purificação final, estado totalmente diverso do inferno; portanto as almas dos falecidos também devem ser transportadas em nossos corações e apresentadas ao Senhor . “Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em favor dos mesmos, particularmente o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos” (CIC §1032).

Essa obra também nos recorda da beleza do dogma da Comunhão dos Santos. Essa comunhão se dá  sobretudo pela Eucaristia, pela qual é representada e é a maior oração de todas. A Comunhão dos Santos é a certeza de fé que carregamos que estamos unidos por um laço espiritual a todos os cristãos e este vínculo supera distância, tempo ou conhecimento. Posso rezar pelas crianças da África que não conheço, não sei o nome, estão a milhares de quilômetros de distância, mas que serão alcançadas pela minha comunhão com Deus; posso rezar pelas almas do purgatório que não conheci mas que pela fé serão beneficiadas pelas minhas preces. Gestos bons ou pecados, tudo repercute sobre o Corpo Místico de Cristo. Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; e se um membro é glorificado, todos os outros se congratulam por ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros” (1Cor12, 25-27). Esta união da Igreja da Terra, do Purgatório e do Céu nos encoraja a rezar sem desanimar pelos vivos e falecidos.

Levantar o mundo! É assim que Santa Teresinha fala sobre a oração. Que grande responsabilidade nós temos! Que possamos usufruir deste poderoso instrumento com a autoridade do Espírito Santo! Sim! A oração é uma poderosíssima ferramenta através da qual podemos atingir o mundo inteiro.

Vamos começar logo? É tempo de rezar sem cessar. Valorizar cada Eucaristia celebrada. Nos recordar de colocar piedosamente boas intenções a cada Missa que celebramos. Rezar o terço com piedade e devoção pelos que sofrem. Rezar devotamente em casa e na Igreja… Enfim, ter o nosso coração em Deus e carregar nele todos os homens, vivos e falecidos.

 

 “Na oração no Getsêmani, Jesus se entrega sem reservas ao Pai: que “não seja como eu quero, mas como tu queres”. A partir deste momento, tudo mudou: “O objeto da oração passa a um segundo plano; o que importa antes de tudo é a relação com o Pai. É isso o que a oração faz: transforma o desejo e modela-o segundo a vontade de Deus, seja qual essa for, porque quem reza quer, em primeiro lugar, unir-se a Deus, que é Amor misericordioso” (Papa Francisco)

 

compartilhar

Postagens Recomendadas