OBRAS DE MISERICÓRDIA – ENSINAR OS IGNORANTES

“Em pouco tempo, Deus conseguira fazer-me sair do círculo apertado no qual eu girava sem encontrar saída. Vendo o caminho que Ele me fizera percorrer, minha gratidão é grande, mas preciso convir que, se o passo maior fora dado, muitas coisas restavam ainda a abandonar. Livre dos escrúpulos, da sua sensibilidade excessiva, meu espírito desenvolveu-se. Sempre gostara do grandioso, do belo, mas naquela época fui tomada de um desejo extremo de saber. Não satisfeita com as lições e as tarefas que minha mestra me dava, dedicava-me, sozinha, a estudos especiais de história e de ciências. Os outros estudos deixavam-me indiferente, mas essas duas áreas atraíam minha atenção. Em poucos meses, adquiri mais conhecimentos que durante meus anos de estudos.”
“Todas as verdades fundamentais da religião, os mistérios da eternidade, mergulhavam minha alma numa bem aventurança, que não é desta terra. Já pressentia (não com a vista corpórea, mas do coração) aquilo que Deus reserva aos que O amam e, vendo que as eternas recompensas não estão em nenhuma proporção com os leves sacrifícios da vida, queria amar, amar a Jesus apaixonadamente, dar-Lhe mil sinais de amor enquanto ainda o pudesse…” (Santa Teresinha do Menino Jesus)

“A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros” (Col 3,16)

Ensinar os ignorantes. Essa obra de misericórdia espiritual trata-se de uma tarefa importante de oferecer razões da esperança que habita em nossos corações. “Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” I Pd 3,15
São João Paulo II, na Encíclica Fides et ratio de 1998 nos recordou sobre a relevância dessa obra de misericórdia: “É ilusório pensar que, tendo pela frente uma razão débil, a fé goze de maior incidência; pelo contrário, cai no grave perigo de ser reduzida a um mito ou superstição.” E ainda: “…não existe, hoje, preparação mais urgente do que esta: levar os homens à descoberta da sua capacidade de conhecer a verdade e do seu anseio pelo sentido último e definitivo da existência.”
Os ignorantes são todos aqueles que não conhecem a verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, ensinar os ignorantes é por primeiro anunciar o infinito amor de Deus revelado em Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus encarnado, morto e ressuscitado. O anúncio do núcleo do Evangelho, da beleza e profundidade do amor de Deus, é a primeira afirmação de quem deseja ensinar os ignorantes. Acredito que em nosso convívio, a maioria das pessoas creiam na salvação de Jesus, mas há muitas pessoas sedentas do anúncio da verdade. O Papa Francisco nos recorda que é preciso ser uma Igreja em saída. Sairmos do comodismo de nossos espaços e relacionamentos para irmos ao encontro dos ignorantes para anunciar a Boa Nova. É urgente que tenhamos a coragem e ousadia de anunciar a Palavra oportuna e inoportunamente, como nos ensina São Paulo.
É muito importante também ajudar as pessoas a dar razões da sua fé. Se eu creio, mas não sei dar razões da minha esperança, corro o risco da superficialidade e da superstição. Há muitas pessoas assim perto de nós. Que não conhecem a verdade profunda, vivem de promessas e comércio com Deus, tem medo do castigo de Deus e vivem às custas de trocas com os santos e o Próprio Deus. Formar, ensinar e aprofundar a fé dessas almas faz parte dessa obra de misericórdia.
Na verdade, todo bem verdadeiro emana de Deus. Portanto, todo ensino que conduz ao bem, é uma obra de misericórdia. Deus nos concedeu, de forma generosa e complacente, o dom da inteligência. Quando ajudamos as pessoas a desenvolver sua intelectualidade para o bem, estamos conduzindo-as para o Bem supremo que é Deus. Ensinar os ignorantes é uma obra ampla e variada, todo tipo de formação que se baseie no bem e na verdade edificam as pessoas.
Só é capaz de ensinar aquele que por primeiro aprendeu. Ler, estudar e se formar, são tarefas de quem deseja servir ao Senhor com fidelidade. Santa Teresinha nos dá esse testemunho no trecho lido acima. Ela sentia um grande desejo de saber. Buscou leituras para enriquecer seus conhecimentos sobre ciências e história, mas também leituras espirituais edificantes para se formar. No momento em que Teresinha reconhece um desenvolvimento espiritual é justamente quando ela percebe, como um sinal desta graça, o desejo aumentado de conhecimento. É muito nítido também que o conhecimento das realidades espirituais fazia crescer em Teresinha o desejo sincero e profundo de amar Jesus e amá-Lo apaixonadamente, pois a boa formação conduz ao amor.
Que Deus nos ajude a buscar com zelo a nossa própria formação de forma que nossa fé seja sólida e que saibamos dar razões da nossa esperança. Que o Espírito Santo nos inspire e que sejamos dóceis para anunciar destemidamente o amor de Deus em Jesus Cristo com nossas palavras. Que Jesus nos ajude a ensinar todo o bem para as pessoas, ajudando-as a desenvolver suas capacidades intelectuais e assim alcançarem de forma mais plena a Verdade Absoluta que é Deus.
Ensinar primeiro o mais importante: a Salvação de Jesus como expressão do amor de Deus. Instruir sobre os caminhos para aprofundar a fé, oferecendo motivos, causas, fundamentos e exemplos que ajudem o amadurecimento da fé. E ainda: instruir em todo bem visando o Bem Maior que é Deus.

Que assim seja!

“É um dever muito simples para você, para mim – você na sua posição, no seu trabalho, e eu e os outros, cada um de nós, no trabalho, na vida em que demos a nossa palavra de honra para Deus. Nós temos que transformar o nosso amor a Deus em ação viva.”

“Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem sentir-se melhor e mais feliz.” (Santa Teresa de Calcutá)

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Anajúlia Gabino Mendes

Formadora Geral da comunidade e consagrada da comunidade de vida. Casada com Rodrigo Serva Maciel nosso fundador