Jesus: mestre da humildade, do amor e da liberdade
“Senhor meu coração não é orgulhoso nem se eleva arrogante o meu olhar. Não ando à procura de grandezas nem tenho pretensões ambiciosas. ” (Sl 130, 1)
A virtude da humildade parece estar em baixa em nossos tempos. Ser humildade soa aos ouvidos de muitos como débil ingenuidade, tolice fruto de uma religiosidade ignorante. Sabemos que os valores do evangelho sempre encontrarão oposição, mas é preciso amá-los e cultivá-los pois são caminho de cura e salvação para nós.
O convite de Jesus é que aprendamos com ele que é manso e humilde de coração. A humildade de Jesus se percebe por seus gestos e palavras. Ao se encarnar, não se apega à sua condição divina para “assumir a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhante”. No mistério da encarnação, mais do que humilde, nosso Mestre mostra-se imensamente condescendente. Rebaixou-se, decidiu torna-se limitado, assumiu fraquezas, quis receber ensinamentos de seus pais, foi cuidado como qualquer outra criança, viveu os desafios próprios de qualquer ser humano ao se tornar um de nós e redimir nossa humanidade.
Jesus era amigo do povo, amigo dos pobres, assentava-se à mesa com os pecadores. Acolhia as mulheres, tão marginalizadas naquele tempo! Permitia que elas fossem suas discípulas, que caminhassem com Ele e o ajudassem com suas posses. Jesus amava com pureza aquelas que como Madalena talvez nunca tivessem experimentado tal acolhida de amor!
O publicano também podia segui-lo, pois para o Mestre, o passado é perdoado para se viver com total liberdade o dom do presente. Para ele, não é possível fazer acepção de pessoas, pois o Pai, de cuja vontade se alimentava, faz nascer o sol igualmente sobre os maus e os bons.
Jesus tinha um jeito simples, descomplicado. Para dizer como deveríamos nos comportar para entrar no Reino dos Céus, pega uma criança no colo e a abraça. Fala de coisas comuns para seu povo – sementes, pássaros, lírios, pérola, ovelhas… – sua fala não é nada difícil, a não ser para aqueles que não queriam (e não querem) amar!
Jesus não escondia aquilo que era: Filho de Deus. Perdoava os pecados mesmo que isto intrigasse os demais. Curava em dia de sábado, não se preocupava com o que pensavam dele. Para cumprir sua missão era preciso mostrar que o amor e a pessoa humana estão muito acima da lei. O Senhor comportava-se com a liberdade própria de todo aquele que sabe bem quem é, de quem é muito feliz por fazer a Vontade do Pai. Nesta Vontade Ele habitava e dela fazia seu alimento.
Obediente, amou até o extremo. Humilde e manso, sofreu o abandono dos amigos amando, sempre livre. Nada O condicionava, só o amor!
“Não ando a procura de grandezas nem tenho pretensões ambiciosas…”
Assim é o coração de Jesus: simples. Como aprendemos na escola, uma substância simples é aquela que não tem mistura. Jesus é puro amor. Em sua divindade, mas também em sua humanidade, é puro amor!
Aquele que nos mostrou o caminho do amor nos torna também capazes de imitá-lo. Para sermos humildes basta abraçarmos nossa mais profunda essência. Humildade é assumir nossa verdade. Somos amor. Simples puro, desinteressado. Somos filhos de Deus Pai, irmãos de Jesus. Assumindo nossa identidade, viveremos o amor e a liberdade que o Mestre nos ensinou.