Educar para o amor

O lar é a primeira escola de vida cristã e uma escola de amadurecimento humano. “É daí que se aprende a fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado, e sobretudo o culto divino pela oração e oferenda de sua vida” (Catecismo da Igreja Católica, 1657).“A catequese familiar precede, acompanha e enriquece as outras formas de ensinamento da fé” (CIC, 2226). Nossa Igreja ensina que a educação dos filhos é obra da família. Entendemos assim que sem uma família sólida na fé, a educação dos filhos poderá ficar comprometida. A primeira ocupação dos pais deve ser criar um lar cristão, onde os valores do Evangelho regem toda a vida.
“Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Dão testemunho desta responsabilidade em primeiro lugar pela criação de um lar onde a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado são a regra. O lar é um lugar apropriado para a educação nas virtudes. Esta requer a aprendizagem da abnegação, de um reto juízo, do domínio de si, condições de toda liberdade verdadeira. Os pais ensinarão os filhos a subordinar as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais” (CIC, 2223). As virtudes cristãs são os alicerces da construção que deve ser erguida com paciência e perseverança pelos pais na educação dos filhos. Os pais devem buscar por primeiro a vivência destas virtudes e assim ensiná-las com a vida e as palavras aos seus filhos. Esta educação tem força extraordinária, pois brota da coerência de vida dos pais na convivência com os filhos.
“Dar bom exemplo aos filhos é uma grave responsabilidade para os pais” (CIC, 2223). A partir do Catecismo, entendemos que os pais devem ser virtuosos e não infalíveis. Quando errarem perante os filhos, os pais devem ter a coragem de pedir-lhes perdão, sem medo de que esta atitude possa diminuir-lhes a autoridade. Os pais também erram, e muito; portanto, só lhes resta a alternativa cristã de saber pedir perdão aos filhos, quando falharem com eles. Além do mais, esta atitude corajosa dos pais será para os filhos uma grande lição de humildade. Longe de roubar a autoridade dos pais, essa postura os fará mais admirados e amados pelos filhos, em vista da sua honestidade diante deles. “Sabendo reconhecer diante dos filhos os próprios defeitos, ser-lhe-á mais fácil guiá-los e corrigi-los” (CIC, 2223).O pedido de perdão é um exercício de humildade, virtude que nos conduz a tantas outras. Pedir perdão sem demora é construir um lar de amor. Reconciliar é um gesto próprio do amor.
O Eclesiástico continua a nos ensinar: “O pai morre, e é como se não morresse, pois deixa depois de si um seu semelhante” (Eclo 30,2-4). Cabe aos pais transmitir aos filhos os ensinamentos e conselhos “para que sejam salvos” (Eclo 3,2); contudo, os filhos só ouvirão os conselhos dos pais se tiverem estima e admiração por eles. Eis algo muito importante: o pai e a mãe devem “conquistar” os filhos. Um filho que admira o pai e a mãe os  segue e ouve os seus conselhos.
O nosso querido São João Paulo II ensina que: “Educar é conquistar o coração, animá-lo com alegria e satisfação em busca do bem”. E como os pais devem conquistar os seus filhos? Isto se dá “por aquilo que ele é”, e não por aquilo que tem e que lhe dá. Os bens materiais são passageiros e não fortalecem vínculos. O pai e a mãe conquistarão o filho pelo respeito que lhe dedicam, pelo tempo que gastam ao seu lado, pelo consolo que lhe oferecem nas horas de dificuldade, pelos passeios despretensiosos que fazem juntos, pela ajuda dedicada naquele problema da escola, pela honestidade pessoal e profissional, pelo bom nome que cultivaram, pela dedicação e amor à família… Conquistar os filhos é tarefa dos pais de fé. Caminho que se faz pela oração e com a inspiração do alto.