{"id":11622,"date":"2017-09-25T14:55:04","date_gmt":"2017-09-25T17:55:04","guid":{"rendered":"http:\/\/comunidadearvoredavida.com\/site\/?p=11622"},"modified":"2017-09-25T14:56:37","modified_gmt":"2017-09-25T17:56:37","slug":"o-encanto-da-vida-monastica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/comunidadearvoredavida.com.br\/po\/o-encanto-da-vida-monastica\/","title":{"rendered":"O encanto da Vida Mon\u00e1stica"},"content":{"rendered":"<p>Tenho um grande encantamento pela vida mon\u00e1stica. At\u00e9 janeiro do ano de 2002, nunca havia estado em um mosteiro, talvez nunca nem tivesse ouvido falar, mas desde que l\u00e1 estive pela primeira vez, nunca mais deixei de ter sede daquele lugar que mergulha meu cora\u00e7\u00e3o na presen\u00e7a de Deus. H\u00e1 dois mosteiros com os quais tenho verdadeira amizade: Mosteiro Maria M\u00e3e do Cristo, em Caxambu e Mosteiro Nossa Senhora das Gra\u00e7as, em Belo Horizonte. Ambos s\u00e3o femininos e estreitamente ligados \u00e0 nossa comunidade, raz\u00e3o pela qual os conheci. O segundo \u00e9 mais antigo e tem maior n\u00famero de monjas, o primeiro, al\u00e9m de ser uma funda\u00e7\u00e3o mais recente, \u00e9 bem mais retirado do meio urbano e conta com uma comunidade menor. Independentemente da localidade e do n\u00famero de monjas, nestes mosteiros o sil\u00eancio nos envolve e penetra suavemente nosso \u00edntimo. Aos poucos vamos guardando as palavras, pois elas parecem ferir algo sacrat\u00edssimo. H\u00e1 ali um misterioso convite a calar-se. Ao toque do sino, todas se re\u00fanem. Para as ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o quase sempre dois toques: o primeiro toque anuncia que faltam apenas alguns minutos para entoar os louvores a Deus e o segundo \u00e9 o sinal de que as irm\u00e3s devem dar in\u00edcio \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. A come\u00e7ar da Madre, entram na capela duas a duas. Reverenciam primeiramente o altar, figura do Cristo, e depois se inclinam uma diante da outra com respeito profundo. No momento da ora\u00e7\u00e3o, as monjas se distribuem em coros, de cada lado da capela, um de frente para o outro e a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 feita como num \u201cdi\u00e1logo cantado\u201d. Cantam os vers\u00edculos dos salmos alternando os coros com grande harmonia. O canto expressa o amor apaixonado daquelas almas esposas. Cantar, como diz Santo Agostinho, \u00e9 pr\u00f3prio de quem ama, \u00e9 pr\u00f3prio de um amor sempre jovem e entusiasta.<br \/>\n\u00c9 impressionante ver monjas de 70, 80, 90 anos entrarem para a ora\u00e7\u00e3o das horas sete vezes ao dia com cora\u00e7\u00e3o amante, jubiloso. O corpo, n\u00e3o t\u00e3o forte, \u00e0s vezes se ap\u00f3ia em uma bengala, mas a alma queima de amor como em fogo ardente. Vemos muitas monjas idosas, mas muito fortes e l\u00facidas. Ao v\u00ea-las, somos convidados a crer que tal sa\u00fade \u00e9 fruto da vida equilibrada de quem vive nos mosteiros. As refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o tomadas em sil\u00eancio. Nada se fala. Mas se escuta uma leitura espiritual recitada por uma irm\u00e3 designada para tal tarefa a cada semana. Alimenta-se o corpo e tamb\u00e9m o esp\u00edrito. A comida \u00e9 simples, mas o capricho nos enche de prazer ao estar \u00e0 mesa. Os h\u00f3spedes t\u00eam um refeit\u00f3rio pr\u00f3prio. As monjas nos servem, mas a clausura n\u00e3o permite que participemos da refei\u00e7\u00e3o com elas. Ainda assim, em Caxambu \u00e9 poss\u00edvel ouvir ao longe a \u201cleitura da mesa\u201d das monjas. Um tempo de descanso, mais um per\u00edodo de trabalho, outra vez a ora\u00e7\u00e3o das horas&#8230;<br \/>\nAo entardecer, o cora\u00e7\u00e3o vai se recolhendo junto com o sol, agradecido pelo dom do dia vivido na presen\u00e7a de Deus. Em cada dia h\u00e1 um momento de recreio em que as monjas, sempre muito alegres, expansivas, partilham a vida, recebem not\u00edcias trazidas pela madre ou alguma outra irm\u00e3. Quando estamos hospedados nos mosteiros, muitas vezes temos a oportunidade de participar desses momentos de recreio. Para n\u00f3s \u00e9 uma prova de que a vida recolhida e silenciosa n\u00e3o deixa ningu\u00e9m triste e cabisbaixo. Elas perguntam sobre nossa vida, se recordam de assuntos que tratamos com elas h\u00e1 anos! Contam hist\u00f3rias engra\u00e7adas, \u201ccasos\u201d do mosteiro e sobre as not\u00edcias da atualidade.<br \/>\nO cotidiano mon\u00e1stico \u00e9 de uma riqueza infinita! Creio de todo o meu cora\u00e7\u00e3o que o mundo tem sede desta vida, desta espiritualidade simples, muito simples, mas profunda e transbordante de amor. O Senhor nos chamou a ser monges no mundo. Parece t\u00e3o desafiador! Mas a maravilhosa sabedoria de Deus escolheu para n\u00f3s uma vida que n\u00e3o se sacia com a agita\u00e7\u00e3o deste mundo: mergulhados nos tantos afazeres do dia a dia, nossa alma tem sede de se recolher. Evangelizamos, anunciamos o nome de Cristo, vamos a miss\u00f5es e retiros, mas sempre temos a sede de retornar ao segredo dos nossos \u201cmosteiros\u201d e na simplicidade da nossa vida, voltar \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, ao sil\u00eancio, \u00e0 conviv\u00eancia cotidiana com nossos irm\u00e3os.<br \/>\nAgrade\u00e7o a Deus pelo dom da vida mon\u00e1stica que tanto nos ensina e \u00e9 fonte de espiritualidade para n\u00f3s! Bendito seja Deus por essa riqueza imensa!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho um grande encantamento pela vida mon\u00e1stica. 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