Ruanda
23 anos depois do Genocídio de 1994 ainda há vestígios em Ruanda. O país vive o problema das crianças nascidas de violações, entre 250 mil e 500 mil mulheres foram violadas. “As mulheres não falam sobre a violência que sofreram e a gravidez apenas lhes aumenta a vergonha”, diz Munderere. Os filhos das vítimas cresceram numa sociedade que os encara como “filhos de assassinos”, em vez de vítimas. Na sua pequena casa em Kiyovu, um bairro pobre da capital de Kigali, Annonciata recorda 1994 em lágrimas. Toda a sua família foi assassinada e ela sofreu nas mãos das tropas. “Não sei quantos me violaram”, diz. Durante três meses, Annonciata foi violada todos os dias e, quando foi finalmente resgatada pela Frente Patriótica Ruandesa (FPR), soube que era soropositiva e que estava grávida. “Quando vi o meu filho pela primeira vez, não consegui parar de chorar. “Mulheres como Annonciata têm pouca assistência familiar e criam os filhos em ambientes de pobreza. Muitas tentaram abortar ou matar os filhos, por estes lhes fazerem recordar a violência sofrida. Já os filhos sofrem preconceitos da sociedade patriarcal. Como muitos deles nasceram depois de 1994, não recebem apoio do Governo por não serem consideradas vítimas do genocídio.
Fonte: http://www.dw.com/pt-002/ruanda-filhos-de-v%C3%ADtimas-continuam-esquecidos/a-40106567