100 RAZÕES PARA SEGUIR A JESUS – PEDRO

100 RAZÕES PARA SEGUIR A JESUS – UM CONTRAPONTO AOS QUE DIZEM: SEM RAZÕES PARA SEGUIR A JESUS

Pedro chamado Simão, filho de Jonas, irmão de André foi chamado pelo Senhor quando estava em Betsaida, às margens do mar da Galiléia. Estava trabalhando com André quando Jesus lhe dirigiu uma palavra que mudaria para sempre a sua vida: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4, 19). Esta palavra exerceu tanta força sobre Pedro que deixou imediatamente as redes para seguir Jesus. Assim nos contam Mateus e Marcos. Este foi apenas o primeiro de muitos passos nas pegadas do Mestre.
Segundo Lucas, o chamado de Pedro se dá em outras circunstâncias: Jesus estava à margem do Lago de Genesaré (que é o mesmo Mar da Galiléia). Vendo duas barcas paradas à beira do Lago e os pescadores a consertar as redes, subiu na barca que era de Simão para ensinar ao povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: “Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar”. Simão havia trabalhado a noite inteira sem nada pescar, mas, por causa da palavra de Jesus decidiu lançar novamente as redes e os peixes vieram em tanta quantidade que a rede quase se rompeu. Pedro se sente tão pequeno diante daquele grande milagre que caiu aos pés de Jesus e exclamou: “Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador”.  Ele estava completamente assombrado com aquela pesca. Mas Jesus o convidou a não temer pois a partir daquele momento se tornaria um pescador de homens e presenciaria muitas outras ‘pescas milagrosas’. A cena final é a mesma de Mateus e Marcos: ele e seus companheiros deixam tudo e seguem Jesus.
No evangelho de João, o chamado de Pedro está cercado de matizes diferentes dos sinóticos: André, por meio de João de quem era discípulo, encontrou-se com Jesus e o seguiu juntamente com outro discípulo. Jesus quis saber o que procuravam e eles perguntaram: “Rabi, onde moras?” Jesus respondeu: “Vinde e vede!”. Ouvindo esta resposta, acompanharam Jesus ficaram com Ele durante aquele dia. Tendo feito esta maravilhosa experiência, André foi até Pedro e levou-o a Jesus que, fixando nele o olhar, disse: “Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra).”
A primeira experiência de Pedro com Jesus se dá segundo os quatro evangelistas por meio do olhar e da Palavra. Com o olhar Jesus penetra o coração com amor, com a Palavra, provoca a resposta pronta e ousada de Pedro. Ama com o olhar e chama com a Palavra. Mas chama com o olhar e ama com a Palavra…
O primado de Pedro aparece como um segundo chamado, uma distinção no caminho do discipulado. De Simão, torna-se Pedro, pedra sobre a qual a Igreja seria edificada. Pedro é eleito pelo Coração de Jesus a desempenhar uma tarefa singular em meio aos Doze e de todos aqueles que lhe sucedessem.
Este homem eleito terá seu amor amadurecido, provado, purificado.
É Pedro quem pede a Jesus para ir ao seu encontro quando O vê caminhar sobre as águas. Começando a afundar por sentir medo, é repreendido por Jesus pela fraqueza da fé. Ora, Pedro teve mais fé que todos os outros ao sair do barco e colocar o pé na água acreditando que o passo seria firme, mas ainda assim é repreendido por Jesus. Àquele a quem ama de modo particular chamando-o a uma missão distinta, pede mais do que pede aos outros. Pedir mais, exigir mais é sinal de distinção de amor.
Após o discurso do Pão da Vida quando muitos discípulos deixaram de seguir Jesus por considerarem sua Palavra dura demais, Ele se dirigiu aos Doze interrogando se eles também não iriam embora. Diante desta dolorosa interrogação, Pedro, em nome dos demais respondeu: “A quem iríamos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna”.
Impetuoso e com conhecimento imaturo sobre a missão do Mestre, não aceitou o anúncio da Paixão e se pôs a censurar Jesus. Esta censura lhe custou caro, pois com a pronta resposta de Jesus soube que estava sendo usado pelo Demônio ao ouvir: “Afasta-te! Para trás de mim, Satanás, pois teus intentos não são os de Deus, mas dos homens”.
A purificação crucial da vocação deste discípulo se deu no momento em que experimentou que suas capacidades não eram proporcionais às suas aspirações e viu-se traído por sua própria imaturidade afetiva e de fé. Havia dito a Jesus que estaria disposto a dar a vida por Ele, mas O nega três vezes em uma única noite justamente quando Jesus vivia o momento de Seu maior sofrimento. Pedro chora amargamente e encontra-se com o olhar sofrido de Jesus. O mesmo olhar que o havia conquistado para a maior aventura de sua vida. Uma humilhação deste quilate ofereceu a Pedro o fogo purificador que prova o ouro e a prata. Caiu em si e compreendeu de que barro era feito.
Esta purificação recebe o selo do amor quando às margens daquele mesmo Lago em que fora chamado, se encontra com Jesus que o faz professar seu humilde amor com a pergunta: “Pedro, tu me amas mais do que estes? Apascenta minhas ovelhas”. “Senhor, tu sabes tudo…”  é o que Pedro responde. A pergunta repetida três vezes é um bálsamo que se derrama sobre cada uma das feridas da negação. Conhecendo o sentido dos verbos conforme o original escrito por São João, sabemos que nas duas primeiras vezes Jesus pergunta a Pedro se ele o amava com amor ágape, incondicional, mas Pedro afirma amar apenas com amor de amigo. Já não queria fazer grandes promessas, pois reconhece suas pobrezas. Na terceira pergunta Jesus se rebaixa e aceita o amor amigo de Pedro não lhe pedindo nada além disso. Já não interroga Pedro sobre um amor sem limites. Interroga-o se O ama com amor filia, com amor de amizade. Pedro sente-se alcançado por Jesus que se adequa à sua pobre capacidade de amar e ainda o acolhe. Assim Pedro responde pela terceira vez: “Tu sabes tudo, sabes que te amo… com amor pobre, humilhado… mas se aceitas meu amor de amizade… sabes que te amo.”
No dia de Pentecostes, Pedro já está pronto para ser inundado pelo Espírito Santo! Sua vocação é potencializada! Pedro torna-se um grande evangelizador. Anuncia com parresia e converte a muitos com o poder da Palavra. Ele a havia experimentado e estava pronto para anuncia-la com poder. Apascentou as ovelhas do Senhor e se identificou de tal modo com Ele que dará a vida em sacrifício.
Pedro é nosso grande amigo na caminhada do discipulado e nos dá mais três razões para seguir Jesus.

  • Jesus te olha com amor e ao te chamar te convida a ir além do que você fazia antes. Pedro era pescador de peixes e se tornou pescador de homens. O chamado te faz ir sempre além.
  • Seguindo Jesus experimentamos que nossas fraquezas nos levam a negá-lO. Jesus não nos pouca desta experiência. No entanto, ainda assim Ele nos olha novamente com amor, nos perdoa, permanece sendo nosso amigo, acolhe nosso amor pobre e nos aceita no seu discipulado.
  • Jesus nos chama para cuidar de Suas ovelhas, ou seja, nos confia aquilo que Ele mais ama. Isto é prova de grande amizade. Ele disse que a vontade do Pai era que não perdesse nenhum daqueles que Lhe tinham sido confiados. E, mesmo sabendo das nossas fraquezas, nos entregou seus bens mais preciosos: aqueles por quem deveria dar a vida.
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Ludmila Rocha Dorella

Responsável geral da comunidade. Consagrada da comunidade de vida e celibatária.

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